quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Hoje faz um ano que você foi arrancado da minha vida, faz um ano que minha vida desandou e eu cai na escuridão. Cada vez mais fundo eu me deixei cair, cada vez mais pro fundo eu me colocava. Eu perdi o controle e a vontade da minha vida, eu não queria machucar à mim mesma mas eu queria encurtar a minha passagem aqui, porque a dor crescia cada vez mais e tudo se intensificava aqui dentro, meu peito ruía a cada pensamento, a cada sentimento. Eu abracei a escuridão e não a deixava ir embora, porque nela eu me sentia mais próxima à você e, inconscientemente, a sua falta ia me dominando e escurecendo. Eu nunca achei justo você partir e eu continuar aqui e muitas vezes desejei ter ido no seu lugar, porque você aproveitaria os teus dias aqui melhor do que eu estava fazendo. A sua partida foi o empurrão para uma queda já eminente. Eu senti que nada mais seria o suficiente, porque nada mais substituiria seu lugar, eu senti que era insuficiente pois não fui suficiente pra te manter aqui, pra te aproveitar aqui nesse mundo. Mas agora eu sei, eu sinto que nada precisa ocupar seu lugar, a tua memória reside no meu coração e agora ela me fortalece. Eu fiz as pazes comigo mesma e agora eu vejo que me aproximo de ti a cada momento que me sinto em paz, pois sei que é assim que você está. Me aproximo de ti cada vez que meu coração se alegra, pois sei que é o que você deseja pra mim. Teu último ano de vida foi torturoso, doloroso e intenso, tudo o que eu mantive como lembrança foi o cansaço no teu olhar que já não queria mais se abrir, a dor de não conseguir ficar bem pra alegrar a quem tanto te queria bem, as vezes que te vi chorar por não conseguir se levantar e lutar mais um pouco. Mas hoje, apesar de não ter esquecido isso, a lembrança que mantenho aquecida aqui dentro é a de você rindo um riso fraco mas sincero, o conforto evidente de saber que tinha com quem contar, a sua alegria de conseguir chegar onde todos estavam e se aconchegar ali, mesmo que em silêncio. Guardo aqui dentro com muita nitidez a tua última dança, lenta e sem muitos movimentos, se apoiando sobre a tua companheira. Era teu aniversário e todos estavam sorrindo, inclusive você, e esse foi um dos momentos mais lindos que vivi. Hoje a dor está grande aqui dentro e as lágrimas me impedem de fazer qualquer coisa, mas tudo bem, pois eu me sinto viva assim, me sinto mais próxima de ti e, acima de tudo, me sinto grata por tudo o que tivemos. Me sinto em paz, porque agora consigo ver que você foi em paz e a tua lembrança me conforta, mesmo que traga lágrimas. Aonde quer que você esteja, estou te abraçando, estou te amando, hoje e sempre. Nossas mãos continuam juntas.





terça-feira, 20 de novembro de 2018

Me lapidar aos poucos
Mas fugir dos moldes
Ser como a lua tímida atrás das nuvens
Mas mesmo assim manter o brilho próprio

Por tempos me mantive na sombra
Danificando o meu próprio lar
Sangrando em meio ao sal das lágrimas
E o gosto amargo do vinho
Mas agora o gosto amargo é contemplativo

As cicatrizes são tão eternas quanto a força que possuo aqui dentro
O sol tá batendo na janela e aquecendo o dia lá fora
Com licença dor, não te vivo mais
Me deixa passar medo, eu não te reconheço mais
O dia tá lindo e eu vou lá fora viver
Eu me mereço mais

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Desconexão
Confusão
A bagunça interna é uma barreira
Barreira contra o sol e o calor
Impedindo o coração de florescer

Estagnada
O coração não sente
A cabeça não pensa
O espírito não vive

Os pássaros não chegam na janela
Passam longe de toda a escuridão
As borboletas caem aos pés
Diante de tanta amargura

Os versos perdidos de um refrão
Que poderiam libertar
Mas aprisionam
São aprisionados
Enrolados na confusão
E assim sufocam

Eu não quero dizer nada
Monstros não precisam ser libertos
As frases murmuradas na chuva
Não combinam com dias de sol
Na língua da poesia
Eu não quero dizer nada

Assim me calo
Com calos e feridas
Que não se calam
Não se curam
Pro gosto de morte
Não há cura.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

         Por que eu vejo as pessoas nas fotos do meu quarto sorrindo pra mim se me sinto tão sozinha nesse momento? Na luz fraca do meu quarto eu encaro as paredes. O vinho já começa a fazer efeito e, de repente, eu passo a chorar ouvindo minha música favorita tocando ao fundo.
         Eu ouço passos se aproximando lá fora e só quero que não cheguem à minha porta. Eu só não quero mais um fio dando nó na minha cabeça. Só não quero mais vozes me culpando na minha cabeça. Deixem minha cabeça em paz!
         Cada crise que o abrir da maçaneta traz me afunda mais e traz tanta dor que eu penso se dessa vez vou aguentar. Eu vejo as pessoas tentando chegar até mim, eu sinto o calor ali próximo, mas eu mesma construo muros de gelo ao meu redor... Então é assim que a dor constrói sua fortaleza? Um som fúnebre ao fundo que embala os piores pensamentos.
          A caneta parada na mão porque eu não sei o que passa na minha cabeça. Eu não sei o que passa no meu coração, a não ser a vontade urgente de não estar aqui nesse lugar, encarrando as fotos na luz fraca do meu quarto.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cold pain
I cannot sustain it
That's what I'm thinking
Not what I'm drinking
I hold up my ways
These thoughts are pervasive
It's not a statement
But peace can be evasive

domingo, 12 de agosto de 2018

Você segue no escuro, pisando pé por pé, cuidando pra não pisar em cada pedaço seu que está no chão, tentando não chutar pra mais longe ainda as poucas esperanças que você deixou cair. Você acorda e se eriça com o frio que faz lá fora, mas sabe que nada é mais gelado que o frio que traz dentro do peito. Você percebe que desmoronar se tornou um hábito e não consegue mais esconder o vazio por trás de meros sorrisos. Você percebe que sóbria não consegue seguir, mas quando "alta" só faz retroceder. De repente, quando você chega em algum ponto, descobre que nunca saiu do lugar. 
E assim não se move.
Inerte.
Sem vida.

quinta-feira, 19 de julho de 2018


Debaixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido. Só faltava respirar. Tinha que respirar. Debaixo d'água se formando como um feto, sereno, confortável, amado, completo, sem chão, sem teto sem contato com o ar. Mas tinha que respirar, todo dia. Debaixo d'água por enquanto sem sorriso e sem pranto, sem lamento e sem saber o quanto esse momento poderia durar. Mas tinha que respirar. Debaixo d'água ficaria para sempre, ficaria contente, longe de toda gente para sempre no fundo do mar. Mas tinha que respirar, todo dia. Debaixo d'água protegido, salvo, fora de perigo, aliviado, sem perdão e sem pecado, sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar. Mas tinha que respirar. Todo dia.

{Debaixo d'água - Maria Bethânia}
Quando você já está morta por dentro acha que nada que venha de fora pode te machucar mais. Faz coisas a si mesma pra descobrir o que ainda consegue sentir. Você segue assim, achando que nada mais pode te ferir, que você já está completamente acabada. E aí vem uma palavra dura, um gesto impensado, uma atitude egoísta, uma decepção e te derrubam mais uma vez. É mais um soco no estômago, que está vazio depois de você ter vomitado as suas borboletas. E após cada golpe, seja ele com punhal ou com flores, a dor é intensificada até que você apaga. Você acorda em um novo dia e novamente não está vivendo, não está sentindo. Depois de dias percebe que afinal você é Nina com seu coração perdido, mas não acredita mais em contos e duvida que a peça tenha um final feliz.